Estilo de Vida neutralizando doenças (um pouco de nossa história)

E se pudermos mudar os rumos do adoecimento com mudanças no estilo de vida? Essa  pergunta sempre fez parte de minha história médica e fez com que minha trajetória clínica optasse mais por prevenção e por entender mais do metabolismo, suas interelações e caminhos entre a saúde e o adoecimento. Foram assim minhas escolhas em especialidades médicas e pós-graduações. Sempre tive no equilíbrio dos alimentos e nutrientes, do movimento e do exercício, do sono, do estresse, e no entendimento da relação da vida em comunidade e do meio-ambiente, fatores dos mais importantes para a vida de cada um de meus pacientes. 

Acabei me tornando um médico clínico com grande foco em prevenção e não apenas no tratamento de doenças. Anos mais tarde me tornei o fundador-presidente de uma entidade que representou a chegada da Medicina de Estilo de Vida no nosso país. Nossa Associação nasceu com fortes parcerias, irmãs em propósito, o American College of Lifestyle Medicine presidida na época pelo nosso colega Dr. David Katz e a European Lifestyle Medicine Organization presidida pela Dra. Stefania Ubaldi. Tais parcerias nos trouxeram além de orgulho, grande força para seguir em nosso caminho em prevenção. Outro grande projeto ao qual fomos convidados a tomar parte e que nos orgulha muito é o “True Health Initiative”, um movimento global de reforma em saúde liderado pelo mesmo Dr. David Katz e pelo autor do livro “Blue Zones”, Dan Buttner, em parceria com a National Geographic e com um conselho de diretores , que conta com mais de 300 líderes nesse segmento ao redor do mundo. Nomes como Dr. Dean Ornish considerado “pai” da Medicina do Estilo de Vida com inúmeros livros e trabalhos sobre o tema, Dr Walter Willet- chefe do Departamento de Nutrição de Harvard, Dr. Mehmet Oz – uma das personalidades mais influentes na mídia mundial em saúde, Dr. Deepak Chopra- autor renomado mundialmente com inúmeros best-sellers em Medicina mente e corpo entre outros. A visão dessa nossa iniciativa global envolve 2 pontos básicos:  a otimização do estilo de vida NA Medicina, onde nós oferecemos a mais eficaz e a mais poderosa orientação aos nossos pacientes; e estilo de vida COMO Medicina, onde trabalhamos como um grupo global para promover essa grande mudança de cultura.

Aprendemos muitas lições valiosas durante nossas vidas, mas uma que tornou-se cada vez mais clara para mim com o passar dos anos é que conhecimento não é poder. Nós gostamos de dizer conhecimento é poder, mas a diferença entre o que sabemos sobre como adicionar anos à vida e vida aos anos, sobre a prevenção de doenças e a promoção da saúde e o que fazemos com o que sabemos desmente esse pensamento. Embora existam muitos obstáculos à promoção da saúde, eu acho que esse é o melhor caminho, pois é eminentemente solucionável. Se pararmos para pensar sobre os desafios que enfrentamos:  Podemos curar o diabetes? Podemos curar o câncer? Podemos desenvolver novos antibióticos? Podemos acabar com as epidemias? Muitos deles exigem coisas que ainda não aprendemos. É por esse caminho que muitos Prêmios Nobéis vão, e é aí que grande parte do orçamento de pesquisas é investido

Eu gostaria de viver para ver a cura do Alzheimer, do diabetes e de vários tipos de câncer, mas acredito que não faz qualquer sentido buscar as respostas às perguntas que nos desafiam, ignorando respostas que já temos. Eu completei a minha Faculdade de Medicina em 1993, e foi nesse ano, que um documento foi publicado no Journal of the American Medical Association, entitulado “Causas reais de morte nos Estados Unidos”. Os autores Bill Foege e Mike McGuiness, dois epidemiologistas proeminentes, ofereceram-nos a todos a oportunidade de mudar o nosso pensamento com esse  trabalho. Hoje, nós conversamos sobre principais doenças crônicas, como as principais causas de morte prematura nos Estados Unidos e cada vez mais em todo o mundo: doenças cardíacas, câncer, acidente vascular cerebral, diabetes e demência estão nessa lista. Essas são consideradas as causas dos anos perdidos de vida, mas as raízes do problema são as coisas que causam essas doenças crônicas.

Se pensarmos bem, estas doenças crônicas não são realmente a causa; eles são o efeito. Quase 80% de toda essa desordem provem dos resultados do mau uso de nossos pés (não sendo fisicamente ativo), dos nossos garfos (não comendo bem) e dos nossos dedos (através do tabagismo). É como diz o nosso colega e ex-presidente do American College of Lifestyle Medicine, Dr. David Katz : “Feet, Forks and Fingers”.   Se nós não fumássemos, comêssemos melhor e fôssemos fisicamente ativos, poderíamos erradicar até 80% de todas as doenças crônicas no mundo. Desde que esse artigo foi publicado há cerca de 25 anos, a literatura médica vem nos dizendo exatamente a mesma coisa pesquisa atrás de pesquisa, com consistência impressionante. Porém, para a maior parte das culturas modernas, não conseguiu-se transformar esse conhecimento em poder de ação rotineira e, por isso, ainda estamos repletos de doenças crônicas evitáveis. Minha real esperança é viver para ver essa mudança. É isso o que vivo e pratico todos os dias de minha vida médica, na busca da correção de rotas metabólicas dos meus pacientes e também propago a todos os colegas que seguem comigo nesse movimento de mudança do Estilo de vida. 

Saúde à Todos!

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